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terça-feira, 19 de outubro de 2021

"NÃO VENDO A ALMA PRA GANHAR A ELEIÇÃO", AFIRMA LEITE AO JUSTIFICAR SEU VOTO EM BOLSONARO EM 2018

Governador gaúcho respondeu a pergunta de Arthur Virgílio, que foi duro com Leite ao afirmar que ele não deveria ter se aliado ao presidente

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, procurou justificar nesta terça-feira o seu voto no presidente Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018. A declaração foi feita em resposta ao ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio durante o debate das prévias presidenciais do PSDB organizado pelos jornais GLOBO e Valor.

Além de Leite, Doria também contou com o apoio do presidente Bolsonaro na eleição passada e criou o slogan "Bolsodoria". Depois de eleito, porém, assim como o governador do RS, o paulista rompeu com o presidente e se tornou um dos seus principais opositores na política.

Virgílio foi duro com o governador do Rio Grande do Sul ao afirmar que ele não deveria ter se aliado com Bolsonaro e que deveria, então, “ter perdido como um verdadeiro tucano”.

Leite, por sua vez, rebateu o correligionário afirmando que não se aliou ao então presidenciável e que apenas declarou seu voto. Ainda assim, o candidato reconheceu que foi um erro.

— Não vendo a alma pra ganhar a eleição a qualquer custo — afirmou o governador. O gaúcho criticou o PT, que disputava a Presidência contra o ex-capitão do Exército.

— Eu fiz uma única declaração de voto e marquei as diferenças que tenho com Bolsonaro — afirmou Leite, que frisou não concordar com a forma que o presidente trata algumas pessoas – O outro caminho era o PT, que tinha quebrado o país. 

Em resposta a Leite, Virgílio afirmou que no segundo turno havia votado no ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, candidato petista na disputa. Já no primeiro turno, disse que votou no ex-ministro Henrique Meirelles.

Em outro momento, em pergunta direcionada a Leite, a colunista do GLOBO Míriam Leitão cita que, ao justificar o apoio ao então candidato Bolsonaro, em 2018, o tucano usou como justificativa o desastre econômico dos anos petistas. E relembrou que já eram públicos os ataques de Bolsonaro a democracia, a defesa de tortura. O governador do Rio Grande do Sul diz que foi um erro apoiar Bolsonaro e que não repetirá o voto no próximo ano. 

— É importante discutir ideologia, gestão, mas o povo não come gestão, e ideologia não bota comida na mesa e vai resolver problemas reais da população. É muito fácil pra nós que temos a vida resolvida ficar discutindo a democracia e ignorar que milhões de pessoas deixam de comer. Não estou defendendo que se ignore o debate sobre a democracia. Tive que escolher entre um plebiscito. Ninguém duvida do meu voto em Alckmin, mas no segundo turno tivemos que escolher entre dois caminhos. Eu apostava que no caminho do Bolsonaro as instituições freariam, como estão freando, embora os ataques aconteçam.

Reeleição

Leite foi questionando se, caso não seja candidato à Presidência pelo PSDB, ele tentaria a reeleição ao governo do Rio Grande do Sul. Em outras ocasiões, o governador já havia afirmado que não tentaria se manter no cargo. Leite voltou a afirmar isso no debate, alegando que não tentar a reeleição também melhorou a articulação com o Legislativo do seu estado. 

— O nosso modelo político é um ambiente de pouca colaboração se o eventual candidato é o governante ao cargo. Não ser candidato a reeleição criou um ambiente de maior colaboração com a Assembleia Legislativa — afirmou Leite, que disse que enfrentou temas sensíveis com o assembleia, mas que foi superado pelo entendimento de outros partidos de que haveria benefícios para eles caso concorressem e ganhassem a eleição.

Leite também afirmou que, além de não ser candidato a reeleição, ele quer abrir um debate no país para propor o fim da reeleição.

Fonte: O Globo

Foto: Guito Moreto

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