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RIO GRANDE DO NORTE

sexta-feira, 9 de junho de 2017

"EU NÃO COSTUMO CONFERIR SALDO BANCÁRIO", DIZ MINISTRO DO TSE.

Admar Gonzaga afirma que candidatos não sabem origem de doações.

Para defender que os candidatos não têm conhecimento da origem do dinheiro que abastece suas campanhas, o ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), usou um exemplo pessoal que chamou a atenção: disse que não costuma conferir o saldo de sua conta bancária e que não controla sua movimentação.
— Estamos operando no campo da possibilidade, da presunção da convicção. Pode ser uma pessoa que, como eu, não costuma conferir dinheiro na conta. Eu não costumo conferir saldo bancário. Uma vez, um dinheiro foi depositado indevidamente, e o gerente do banco foi me explicar. Se não é meu, não é meu — disse Admar.
O assunto começou quando o relator do processo, Herman Benjamin, disse que a campanha da chapa vitoriosa em 2014 foi irrigada com dinheiro ilícito. Para ele, não seria possível que os candidatos não tivessem conhecimento da ilegalidade. Luiz Fux concordou e questionou o colega Napoleão Nunes Maia se ele acreditava que os candidatos não soubessem desse tipo de fraude.
— Vossa Excelência acredita que os candidatos não sabem da entrada desses recursos nas suas campanhas? — questionou Fux.
— Falo por experiência pessoal. Tenho vários parentes que disputam cargo de vereador, o financiamento vem dos partidos e eles não sabem a origem desse dinheiro. Cem, 200, cinco mil reais... Não sabem. Eles sabem que vem do partido político. Eu não sei se nas grandes capitais, no Rio de Janeiro, em São Paulo... — contou Napoleão.
Irritado com o rumo que a conversa tomou, Herman lembrou que o julgamento tratava da chapa vitoriosa para a Presidência da República, e não de vereadores de cidades pequenas:
— Vamos julgar esse caso pelo que ele é. É uma campanha presidencial. A cada momento estamos trazendo caso de vereador que deu uma telha, um fogão. Não é disso que estamos tratando aqui.
COFRINHOS SEPARADOS
Ainda no campo das finanças, Herman Benjamin disse que, no caso da campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer, não é possível separar recursos lícitos dos ilegais. Para ilustrar o raciocínio, argumentou que qualquer criança sabe como fazer uma poupança, se quiser fazer uma “competição entre pai e mãe” para ver quem doa mais, que precisará ter dois cofrinhos para isso. Senão, no fim do mês, não saberá que moedas vieram do pai ou da mãe.
— Quem quiser separar caixa um e caixa dois, boa sorte — concluiu Herman.
Não é só o ministro Admar que não controla a movimentação da próprai conta-corrente. Em abril, no julgamento da prestação de contas de partidos políticos, Napoleão concordou com a orientação do TSE de que irregularidades inferiores a 10% do total recebido pelo fundo partidário fossem relevadas. Afinal, explicou, ele mesmo não saberia explicar nos detalhes os seus recebimentos e gastos pessoais.
— É uma variação tolerável (os 10%). Se não for isso, vai ser um rigor danado, demonstrando até os centavos. Nem na sua conta pessoal você demonstra. Experimente puxar sua conta bancária. Tem coisa lá que você não sabe o que é — afirmou Napoleão.

Fonte: André de Souza, Carolina Brígido e Eduardo Bresciani/O Globo

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