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RIO GRANDE DO NORTE

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

ESPINHOS NO CAMINHO DE TEMER.

Na busca por blindagem judicial via impeachment, presidente interino sofre cerco do PSDB e do 'mercado' e vê o TSE à espreita.

Michel Temer foi à abertura da Olimpíada no Maracanã sob um esquema preparado para protegê-lo de um vexame global. Uma semana antes, o governo demitira o chefe do cerimonial da Rio-2016, Fernando Igreja, episódio a alimentar rumores entre diplomatas de que o embaixador foi espionado pelo aparelho de segurança de Temer e punido por “dilmismo”.
Na cerimônia, o nome do presidente interino não seria anunciado antes de ele declarar o início dos Jogos, seu discurso seria relâmpago e logo em seguida o volume de uma música subiria ao máximo. Tudo para impedir ou abafar vaias ao peemedebista diante das autoridades presentes e das bilhões de pessoas a assistir pela tevê. Em vão. Ele levou uma estrepitosa vaia.
Terá mais sorte em outra “operação blindagem”? Se assumir a Presidência de forma plena com a aprovação final do impeachment, desfecho para o qual atua com paixão, escapará de ser investigado em tramas suspeitas.
Histórias como a cobrança de dinheiro para campanhas do PMDB feita por Temer ao empreiteiro Marcelo Odebrecht e ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, conforme contaram ambos em delações premiadas na Operação Lava Jato, podem até aborrecer o interino no noticiário e no Congresso, mas sem consequências judiciais. Idem para desconfianças sobre seu envolvimento em propina no Porto de Santos e no favorecimento a uma empresa devedora do porto e financiadora de sua eleição em 2014.
A busca pela blindagem ajuda a entender por que o peemedebista e seus articuladores políticos querem liquidar o impeachment no Senado logo, até o fim de agosto. Nada de esperar o mês da primavera, quando devem ocorrer a homologação judicial da delação de Odebrecht e a votação da cassação de Eduardo Cunha, homem-bomba a assombrar o presidente, embora notícias recentes indiquem que ambas – delação e cassação - podem ser postergadas sabe-se lá para quando.
Não é uma estrada tranquila e sem espinhos, porém, apesar do inegável desejo parlamentar de degolar Dilma Rousseff, visto mais uma vez no Senado. O interino sofre pressões do tipo “faca no pescoço”. Indócil com a demora do governo em mergulhar no arrocho fiscal e numa agenda social e trabalhista dos sonhos do capital, desiludido com as derrotas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o “mercado” ameaça tirar o aval a Temer.
Sempre afinado com a banca, o PSDB, segunda maior sigla governista, emana sentimentos parecidos. Com um agravante. Ninho de presidenciáveis, anda aborrecido com a mosca azul da gestão interina, que nem se firmou e já fala em reeleição.
Por causa dessa combinação de interesses políticos e econômicos, nem com o triunfo do impeachment Temer poderá sentir-se seguro de comandar o País até 2018. Seu futuro estará nas mãos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde uma ação de autoria do PSDB tenta cassar a chapa Dilma-Temer.
À frente da Corte há um magistrado de indisfarçável pendor tucano, Gilmar Mendes. Mais: não se pode descartar o aproveitamento pelo TSE da delação de Marcelo Odebrecht, nem que o tesoureiro dilmista Edinho Silva, do PT, aceite uma missão partidária e faça uma delação sobre as finanças da chapa.
“Temer não tem liberdade de ação”, diz o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais. “Existem questões pendentes na Justiça Eleitoral, há o impacto das ações do governo na opinião pública e a contestação sobre a legitimidade do governo, a Lava Jato segue um elemento que gera incerteza e o apoio do PSDB é claramente oportunista.” Em outras palavras, o peemedebista seria mais um refém das circunstâncias do que senhor da situação.
De qualquer forma, ele luta para consolidar-se no poder e proteger-se para o que der e vier na seara judicial. Uma blindagem garantida pela Constituição, como sabe o professor de Direito Constitucional que se prontificou a negar a Carta de 1988. De acordo com a Constituição, o presidente só pode ser investigado pelo que fez no comando do Palácio do Planalto.

VEJA MATÉRIA COMPLETA AQUI

Fonte: André Barrocal/Carta Capital

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