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RIO GRANDE DO NORTE

quarta-feira, 24 de abril de 2019

HOJE, NOS HOLOFOTES, SUPREMO NEM SEMPRE FOI UMA CORTE FALANTE.

Na atual crise que o tribunal passa, internamente e em relação aos outros Poderes, quanto mais os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) falam publicamente, mais alimentam o incêndio . Ciosos dessa máxima, optaram por permanecer calados. As exceções foram Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Carmen Lúcia, que deram declarações recentes sobre liberdade de expressão. Mas, ainda assim, evitaram criticar o inquérito aberto pelo presidente , Dias Toffoli, e a decisão do colega Alexandre de Moraes — que tirou uma reportagem de circulação e depois revogou sua própria decisão.
Para uma Corte falante, o silêncio é simbólico . O STF de hoje é bem diferente daquele existente há duas décadas. Apenas uma ministra, Rosa Weber, é avessa a dar declarações públicas — seja à imprensa, em redes sociais, em palestras, ou mesmo transformar um voto em manifesto. Até hoje, as únicas entrevistas que deu foram coletivas, pelo imperativo do momento, durante o processo eleitoral do ano passado. Ela preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os outros dez ministros falam com jornalistas com alguma peridiocidade — ainda que essas conversas não necessariamente resultem em reportagens estampadas nos jornais. Alguns são afeitos às redes sociais. Outros aproveitam julgamentos em plenários para deixar claro seus pontos de vista sobre temas atuais. Há ainda os que proferem palestras frequentes para tratar da situação política do país.
Com um Supremo mais demandado politicamente, nas últimas décadas mudou também o perfil comunicativo da Corte. Antigamente, coisa mais rara era um ministro do Supremo dar entrevista ou declaração pública. Eram juízes clássicos, do tipo que preferem “ falar nos autos ” – o que, no linguajar da área, significa se pronunciar sobre um determinado assunto apenas por escrito, ao julgar um processo.
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Fonte: Carolina Brígido/Época
Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo


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