Preso na Papuda desde terça-feira (4), João Paulo Cunha apressou-se em protocolar na Vara de Execuções Penais de Brasília um pedido para trabalhar fora da cadeia durante o dia. Tem direito. Foi condenado pelo STF a 9 anos e 4 meses de cana por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O regime seria fechado. Mas como há um recurso pendente de julgamento, a pena inicial é de 6 anos e 4 meses. No regime semiaberto. O condenado precisa apenas dormir no xadrez.
Conforme a petição do doutor Alberto Toron, seu advogado, João Paulo deseja dar expediente na Câmara. Natural. Já está acostumado com a rotina: semana de três dias, salário alto e todas as vantagens que o dinheiro público é capaz de pagar. Porém, em nome da reabilitação do preso, a Justiça precisa indeferir o pedido. Diz-se que as penitenciárias brasileiras são escolas do crime. Considerando-se o passado de João Paulo e dos seus companheiros de cela, o Congresso é a universidade.
A confusão da política brasileira começa no plenário da Câmara. Nenhum deputado senta na cadeira. Fica todo mundo de pé, na frente da mesa. A atmosfera é de boteco. Ou de pátio de penitenciária. Na melhor das hipóteses, dá em anedota e cutucão na barriga. Na pior das hipóteses, termina em mensalão, nunca em reabilitação.
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Fonte: Josias de Souza
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