Ao longo do ano, a religião e o bolsonarismo caminharam lado a lado com diversas manifestações de oração ao ex-presidente Jair Bolsonaro
De acordo com o cientista político Murilo Medeiros, Bolsonaro e família compreendem a religião como um “poderoso marcador identitário” e a fé não é apenas uma crença pessoal, mas uma “linguagem política permanente”.
“O bolsonarismo se estruturou como uma política de valores, na qual temas como família, autoridade e oposição a pautas identitárias passaram a organizar a percepção de pertencimento político”, diz o cientista.
Medeiros explica que a fé, no âmbito dos eleitores de Bolsonaro, funcionou como um “atalho de confiança política” em um cenário de desconfiança generalizada. No entanto, ele reforça que a religião na esfera pública não é problema para a democracia, inclusive, a liberdade religiosa é um pilar da sociedade.
“O desafio democrático surge quando a expressão da fé passa a capturar instituições do Estado, substituindo o pluralismo por uma lógica de exclusão”, explica.
Para o cientista político, o desafio atualmente é “encontrar o equilíbrio entre o respeito à livre manifestação da fé, sem permitir que ela se transforme em hegemonia institucional”.
O analista especialista em marketing político, Deividi Lira, afirma que a relação entre religião e política no Brasil é histórica e estrutural, e, na democracia contemporânea – especialmente a partir da Constituição Federal de 1988 – o vínculo se reorganiza: “O Estado se afirma laico, mas a liberdade religiosa amplia a presença de atores religiosos no debate público”.
Para Deividi, o crescimento das igrejas evangélicas, sobretudo as neopentecostais, reforçou a religião como discurso político, usada para construção de identidades coletivas e pautação de discursos morais, e tem o impacto ambíguo: “Ao mesmo tempo em que amplia a participação política de determinados grupos, também tensiona a laicidade do Estado e contribui para uma polarização baseada em valores absolutos, deslocando o debate de políticas públicas para disputas, muitas vezes, morais”.
Fonte: Giovana Alves e Pedro Areal/Metrópoles
Arte: Metrópoles
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COMENTÁRIO SUJEITO A APROVAÇÃO DO MEDIADOR.