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sexta-feira, 2 de julho de 2021

"ME OFERECERAM 60 CENTS DE DÓLAR POR DOSE PARA FACILITAR A IMPORTAÇÃO DAS VACINAS"

Um dos delatores do esquema de corrupção na compra da Covaxin, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) denunciou que, após ter detalhado ao presidente Jair Bolsonaro as irregularidades na aquisição da vacina indiana, ele foi chamado para reuniões com o lobista Silvio Assis, homem de confiança do líder do governo, o deputado Ricardo Barros (PP-PR). Na oportunidade recebeu uma proposta para ganhar 60 centavos de dólar em cada dose do imunizante que viesse a ser importado. Em uma das reuniões, o próprio Barros estava presente. Miranda disse que pensou em dar voz de prisão a Assis. O parlamentar afirmou à ISTOÉ estar decepcionado com o presidente Bolsonaro e criticou o tratamento que tem recebido desde que fez a denúncia ao lado de seu irmão, que é funcionário do Ministério da Saúde. “Minha maior decepção é que o presidente, para não perder a narrativa de que no governo dele não tem corrupção, optou por atacar quem está levantando a denúncia. A reação do governo é típica de quem não quer que a verdade apareça”.

O senhor esteve em reuniões com o lobista Silvio Assis e o deputado Ricardo Barros após a denúncia do escândalo da Covaxin? Houve tentativa de suborná-lo?

Esse tipo de reunião é normal aqui em Brasília. Parlamentares se reúnem em uma casa para tratar de uma pauta específica. Em nenhum momento, achei que teria qualquer coisa fora da curva. Barros esteve presente só numa das duas reuniões que tive com o Silvio. Mas o Barros só falou de projetos comigo. Na hora que eu estava indo embora, o Silvio Assis me fez uma oferta, dando a entender que era uma oferta empresarial. “O senhor, como empresário, pode ganhar 60 cents de dólar por vacina. Então ajuda a gente a emplacar a vacina”. Foi quando questionei: “Ajudar de que forma, meu amigo? Eu não tenho como te ajudar. E, se você insistir, eu vou te dar voz de prisão”. Aí ele olhou para mim, deu um sorriso e disse: “O que é isso, deputado? É uma oferta, negócio. Mas se o senhor se sentiu ofendido, deixa para lá”. Ele me acompanhou até a saída da casa e estávamos apenas eu e ele. Foi algo não republicano, que eu não gostei. Depois disso, nunca mais fui até a sua casa. O Silvio até me convidou para o aniversário dele, onde foram vários parlamentares, mas eu não fui. Não quis mais contato, porque a conversa não era positiva. Era problema.

Não deu para entender que era oferta de propina, coisa criminosa?

Tem muita gente em Brasília que quer mostrar poder. Fiquei em dúvida se ele tinha a intenção de me corromper ou se sabia que meu irmão trabalhava no ministério. Eu não sabia se ele queria mostrar que era poderoso, que era um cara de quem eu deveria me aproximar, porque poderia me rentabilizar. Essa dúvida foi suficiente para eu nem ter tocado mais nesse assunto até aqui. Se o Silvio tivesse feito essa oferta hoje, eu teria saído de lá e chamado a polícia para prendê-lo. Ficaria muito claro que teria algo de errado. Naquele momento, eu ainda acreditava que o caso estava sendo investigado pela PF.

Ler entrevista completa AQUI

Fonte: Isto É

Foto: Jefferson Rudy

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