Depois de vitória sobre o Santa Cruz, equipe viajou de ônibus por mais de 500 km durante sete horas até recepção calorosa dos torcedores.
O Salgueiro dormiu campeão pernambucano na poltrona de um ônibus, entre a leseira que vem depois de um churrasco, as cervejas geladas da saideira dentro de um cooler de isotônico e os solavancos da estrada, cruzando de madrugada os pouco mais de 500 km que separam Recife da cidade do primeiro vencedor do interior da história do estado. O sono dos justos depois da vitória sobre o Santa Cruz, no último dia 5, não pode ser em um hotel da capital porque ou se paga hospedagem, ou se paga salário.
"Quando o jogador vem para cá já sabe que vai sofrer. Se fica chorando, pergunto se prefere uma redução salarial. Ele logo para de reclamar. Quando vou contratar alguém, explico que aqui a condição é essa, o cabra tem de aguentar as viagens", explica o presidente José Guilherme da Luz Alencar Ferreira.
Foram pouco mais de 7h de viagem até a recepção calorosa dos salgueirenses, debaixo de sol escaldante de meio-dia do sertão nordestino, ignorando solenemente as recomendações de distanciamento social em tempos de pandemia. Entende-se o buzinaço e a euforia: desde 2014 que o time termina entre os quatro primeiros do Pernambucano, sendo um adversário indigesto para os três grandes clubes da capital: Sport, Santa Cruz e Náutico. Em 2017, o caneco escapou na final, após o gol do título ser anulado pela arbitragem na primeira competição a ter o recurso do VAR no Brasil.
Para o presidente do Salgueiro, a conquista pode representar o fim de um "bloqueio mental" no futebol do sertão e sua gente, que já não acreditava que algum dia os poderosos da capital poderiam ser derrotados. Uma vitória sobre o trio de Recife, especialmente depois do trauma de 2017, parecia uma lenda como as tradicionais entre o povo de Salgueiro, de aparições de lobisomens e chupa-cabras.
Outra fama da cidade de quase 61 mil habitantes, de acordo com o IBGE, é menos folclórica. Nos anos 1980 e 1990, Salgueiro, conhecida como a "Encruzilhada do Nordeste" por estar equidistante de algumas das principais capitais da região, como Recife e Fortaleza, ganhou o noticiário brasileiro por ser integrante do Polígono da Maconha, uma região do sertão com altos índices de criminalidade relacionados ao cultivo da planta que dá origem à droga.
"Recebemos mensagens de muitos clubes do interior. Essa conquista representa muita coisa para o sertão. Tem prefeituras de várias cidades vizinhas pedindo para que a gente leve a taça para o povo ver. O time levou o nome de Salgueiro para o Brasil inteiro. Conseguimos divulgar a cidade de uma forma positiva, antes só se falava de maconha, de assassinato", afirmou José Guilherme Da Luz Alencar Ferreira, que começou como motorista do ônibus do time e que desde 2017 ocupa a presidência.
LEIA MATÉRIA COMPLETA AQUI
Fonte: Bruno Marinho/Época
Foto: Agência O Globo

Nenhum comentário:
Postar um comentário
COMENTÁRIO SUJEITO A APROVAÇÃO DO MEDIADOR.