Presos há mais de um mês na Bolívia, corintianos têm acompanhamento quase diário do consulado brasileiro, diz ministro. Para ele, processo envolvendo parlamentar oposicionista abrigado na embaixada brasileira em La Paz não afeta negociações.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, prestou informações nesta quinta-feira (4), em audiência pública no Senado, sobre o estágio de negociações entre Brasil e Bolívia acerca de dois impasses diplomáticos: o caso dos 12 corintianos presos desde 20 de fevereiro, depois da morte do estudante boliviano Kevin Espada, em jogo pela Libertadores da América; e a situação do senador Roger Pinto Molina, há 11 meses abrigado na embaixada brasileira em La Paz, com autorização do governo brasileiro para deixar a Bolívia. Para Patriota, ambos os casos recebem a devida atenção da diplomacia brasileira e não devem ser tratados como moeda de troca – até porque um deles, diz o chanceler, exige certo grau de sigilo por envolver o Legislativo de um país soberano.
“A firmeza do governo brasileiro é a mais completa, não há afrouxamento. O que pode haver é uma certa reserva em compartilhar publicamente, porque isso em nada contribuiria para proteger os brasileiros ou para acelerar o desenlace que todos nós desejamos”, declarou o ministro, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Patriota ressaltou que o governo boliviano ainda não concedeu salvo-conduto para o senador deixar o país e, enquanto isso não ocorrer, o parlamentar deve continuar na embaixada brasileira, onde está abrigado desde o fim de maio de 2012.
A situação de Roger Pinto Moline não pode ser vista como moeda de troca entre os dois países, enfatizou o ministro. Em relação aos corintianos presos, Patriota confirmou a situação de precariedade e as ameaças a que os 12 brasileiros estão submetidos em Oruro, município boliviano palco da partida de futebol que resultou na morte de Kevin, de 14 anos. Mas “o apoio consular” do Brasil no caso, garante o chanceler, caminha para a solução mais “célere” possível.
“Tratei pessoalmente com o presidente boliviano, Evo Morales, e não só transmiti com muita firmeza o propósito, a intervenção do governo brasileiro para exigir respeito aos direitos dos nossos compatriotas. Assim como o caminhamento judiciário mais célere, já que foi comprovada a inocência daqueles que estão presos, e garantir a liberação no mais breve prazo dos nossos concidadãos”, declarou Patriota. O episódio “introduz uma nota sombria sobre aquela que é uma marca do povo brasileiro”, o futebol, pontuou o chanceler. “O fato só pode enlutar a todos, mas eu gostaria de deixar muito claro o empenho do governo brasileiro, e do Itamaraty em particular, em garantir o pleno apoio consular aos 12 brasileiros detidos em Oruro.”
Fonte: Congresso em foco
Foto: Antônio Cruz/ABr

Nenhum comentário:
Postar um comentário
COMENTÁRIO SUJEITO A APROVAÇÃO DO MEDIADOR.