Segundo uma apuração publicada nesta terça-feira (19) pela Folha de S. Paulo e confirmada pela Gazeta do Povo com pessoas ligadas às apurações, Vorcaro propôs devolver aproximadamente R$ 40 bilhões ao longo de dez anos, mas a oferta desagradou os investigadores. O entendimento é que o valor apresentado e o prazo estendido demonstram pouca efetividade diante da dimensão do rombo provocado pela quebra do Banco Master.
Integrantes da investigação avaliam negativamente acordos longos após experiências anteriores envolvendo empreiteiras da Operação Lava Jato e a J&F, dos irmãos Batista. Em vários casos, empresas passaram depois a questionar judicialmente os valores acertados ou tentaram suspender pagamentos, enquanto parte das provas derivadas das colaborações acabou anulada pelo próprio STF.
No caso do escândalo do Banco Master, investigadores afirmam que Vorcaro precisará detalhar onde mantém patrimônio e seus ativos financeiros para garantir o ressarcimento dos prejuízos. Entre o que já é conhecido da investigação, os custos da quebra do banco chegam a R$ 57 bilhões, mas uma entidade de policiais federais estima um rombo ainda maior, de R$ 500 bilhões.
Apenas o ressarcimento previsto aos clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), abastecido pelos bancos, é estimado em R$ 51,8 bilhões. E ainda não entraram nas contas o rombo provocado nas negociações com o Banco de Brasília (BRB), que postergou a divulgação do balanço de 2025.
A expectativa é que novas fases da operação Compliance Zero revelem danos ainda maiores e ampliem o número de envolvidos no esquema. Isso, porquê, a Polícia Federal ainda tem uma grande quantidade de provas a serem analisadas, entre aparelhos celulares e documentos.
Fonte: Guilherme Grandi e Juliet Manfrin/Gazeta do Povo
Foto: Isaac Fontana/EFE
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COMENTÁRIO SUJEITO A APROVAÇÃO DO MEDIADOR.