O deputado bolsonarista Luis Miranda disse à CPI da Covid que o nome de Ricardo Barros saltou dos lábios de Bolsonaro quando ele ouviu o relato sobre a conversão da compra da Covaxin em algo parecido com uma negociata. A sobrevida de Barros na liderança do governo ajuda a entender por que Bolsonaro não chamou a Polícia Federal, como prometera ao ex-amigo Luis Miranda.
O interesse de Ricardo Barros pela saúde dos brasileiros é antigo. O deputado ganhou de Michel Temer a poltrona de Ministro da Saúde como parte do pagamento do apoio do seu partido, o PP, ao impeachment de Dilma Rousseff. Mais do que lembranças, Barros carrega dessa época um processo por improbidade administrativa resultante da compra de remédios que nunca foram entregues. Coisa de R$ 20 milhões.
Por uma dessas trapaças do destino, a fraude dos remédios envolve um empresário que frequenta também a encrenca da Covaxin: Francisco Maximiano, da Precisa Medicamentos e da Global Saúde. Por uma cilada da sorte, o mesmo Maximiano contou com os bons préstimos do primogênito Flávio Bolsonaro para abrir a maçaneta do gabinete do presidente do BNDES, Gustavo Montezano, amigo de infância dos zeros à esquerda da dinastia Bolsonaro.
O encontro do BNDES não teve nada a ver com vacinas, apressou-se em esclarecer o Zero Um. Tratou-se de financiamento para projetos de internet que levariam banda larga para o Norte e o Nordeste. Coisa de grande interesse social. São esses interesses republicanos em comum que levam os Bolsonaro e o centrão ao contágio natural que produz a contaminação de rebanho. Estreitam-se as relações por necessidade.
Pendurados de ponta-cabeça nas manchetes, os Bolsonaro se dão conta de que o distanciamento social com a banda suspeita do Congresso não faz sentido. O presidente e seus filhos com mandato —Flávio, Eduardo e Carlos— viraram protagonistas de um noticiário em que as suspeitas de rachadinha nos gabinetes da família se misturam a transações eleitorais e imobiliárias fechadas em dinheiro vivo. Daí a busca da blindagem pelo contágio coletivo.
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Fonte: Josias de Sousa/UOL
Foto: Reprodução

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