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quinta-feira, 4 de junho de 2020

REABERTURA DEVE AUMENTAR MORTES NO RIO EM 2 SEMANAS, DIZEM CIENTISTAS

A cidade do Rio de Janeiro deve sentir o impacto da reabertura de setores da economia e áreas de lazer em duas a três semanas. Especialistas ouvidos pelo UOL preveem um aumento de casos e mortes de coronavírus a partir de duas semanas. Eles são unânimes ao apontar que não é hora para relaxar o isolamento social.
Na capital fluminense, a reabertura se iniciou na terça-feira (2), com liberação de lojas de móveis e carros, de igrejas e da orla das praias. Já o governador Wilson Witzel (PSC) prorrogou as medidas restritivas, mas falou ontem em flexibilização no estado a partir da próxima semana. Ontem, o estado registrou 6.010 óbitos —com recorde de mortes em 24 horas (324)— e 59.240 casos registrados de coronavírus. A capital é o epicentro da pandemia no estado, com 4.055 mortes.
Na capital, houve 997 novas mortes em uma semana em período encerrado em 1º de junho —o total é superior aos 871 da semana anterior. No estado, foram 1.337 mortes em uma semana, contra 1.253 no período anterior. Ou seja, não houve queda nas mortes, apenas desaceleração do crescimento dos óbitos. Em outros países, o padrão é reabrir quando novos casos e mortes têm diminuição por um período.
O epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do ICICT da Fiocruz, prevê aumento de casos e mortes em duas semanas. Para ele, não é possível estimar o tamanho do impacto em razão da subnotificação no Rio.
"Muito difícil prever porque os casos já são subnotificados. Veremos mais claro nos óbitos que depois do contágio levam mais umas duas semanas [para ocorrer]. No óbito, de todo modo, deve ocorrer um aumento abrupto em duas semanas. Será difícil não perceber", afirmou Xavier, falando especificamente sobre a capital fluminense.
O prazo é parecido com o estimado por Mathias M. Pires, do Instituto de Biologia da Unicamp. Para o integrante do projeto observatório covid em São Paulo, que analisa tendências da epidemia em todo o país, uma mudança na dinâmica social, com menos isolamento, afetará a taxa de contágio.
"Com base nos dados que temos, tudo indica que a epidemia não está desacelerando [no Brasil]. Seguro seria reabrir em queda acentuada por muito tempo. Aí faz um planejamento de reabertura. Agora estão começando a reabrir. Nada garante que não tenha as novas ondas de contaminação", disse o cientista.
Sua expectativa é de que as medidas de relaxamento de isolamento social provoquem um aumento no número de casos e mortes a partir de dez a 25 dias.
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Fonte: Rodrigo Mattos/UOL
Foto: Ellan Lustosa/Código19/Estadão Conteúdo

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