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terça-feira, 16 de outubro de 2012

"JORNALISMO NÃO É QUE NEM COMIDA", DIZ DIRETOR DE "A TARDE" SOBRE REGIONALISMO.

Nesta segunda-feira, (15/10) o jornal baiano A Tarde comemorou 100 anos de história e entra para o grupo seleto de publicações centenárias no Brasil. Segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ), existem atualmente 27 veículos com o título. Ele que já teve entre seus colaboradores personalidades de peso, como Fernando Sabino e Milton Santos, passa por um período de renovação, visando retomar o posto de líder na Bahia.
Em entrevista exclusiva à IMPRENSA, o jornalista Vaguinaldo Marinheiro, novo diretor executivo de A Tarde, fala sobre as peculiaridades da imprensa baiana e antecipa algumas mudanças previstas para o grupo. Com um currículo que inclui 23 anos de Folha de S. Paulo, o profissional diz não enxergar diferenças entre fazer jornalismo na região nordeste ou no sudeste e dispara: “Às vezes, acho que há uma supervalorização desses conceitos regionais. Jornalismo não é que nem comida. Jornalismo tem critérios baseados em sua parte técnica que valem para São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul...”.

IMPRENSA: O grupo A Tarde anunciou recentemente que vai passar por mudanças em seu projeto editorial e gráfico. Pode adiantar quais serão as mais significativas?
Vaguinaldo Marinheiro: A ideia mesmo é trazer um jornalismo mais analítico não só por meio de colunas, mas nas próprias matérias. Hoje em dia a reportagem não é mais apenas descrever um fato. É dar contextos, consequências, no próprio corpo da matéria. Esta é a nossa proposta.

IMPRENSA: Há muita diferença entre a imprensa baiana e a paulista?
Não acredito muito nessa história de regionalização. Acho que existe bom jornalismo e o mau jornalismo. Há problemas que eu encontro aqui na Bahia que eu também encontro em São Paulo, assim como qualidades em ambos os locais. Eu não acredito muito num jeito baiano de fazer jornalismo. Há peculiaridades, mas o principal mesmo é essa distinção do bom e mau jornalismo.
Às vezes, acho que há uma supervalorização desses conceitos regionais. Jornalismo não é que nem comida, que você tem comida baiana, comida paulista. Jornalismo tem critérios baseados em sua parte técnica que valem para São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul ou na boa imprensa americana, na britânica, entre outras, com algumas particularidades, mas nada de tão significativo.

IMPRENSA: Quais são os principais desafios de A Tarde nesta nova fase?
Acho que o principal desafio é fazer um bom produto. Isso é um desafio que levo em todos os lugares por onde já trabalhei. Fazer jornalismo não é fácil, fazer um jornalismo bom, equilibrado e responsável é mais difícil ainda. É uma batalha diária. Meu grande desafio profissional é fazer um bom produto todos os dias.

Fonte: Danubia Guimarães/Portal Imprensa
Foto: Raul Spinassé/Grupo A Tarde

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