Levantamento mostrou também que o número de pacientes que precisam de uma vaga em UTI chegou ao pior patamar desde o início da pandemia
A taxa de óbitos salta de 13,1% no primeiro período para 38,5% no segundo, de acordo com o estudo “Projeto UTIs Brasileiras”.
A pesquisa mostra que a mortalidade hospitalar está em crescimento. Passou de 32% no trimestre formado por setembro, outubro e novembro de 2020 para 38% em dezembro, janeiro e fevereiro deste ano.
No caso dos pacientes que dependem de um respirador, a taxa sobe de 65,6% para 72,8% dentro do mesmo período.
Na análise regional, o Norte enfrenta a pior situação do país com 62,4% da mortalidade geral e 80,1% na mecânica. O Sudeste apresenta os indicadores mais baixos: 33,2% e 70,9%, respectivamente.
A piora dos indicadores é, de acordo com pesquisador Ederlon Rezende, coordenador do levantamento, fruto do agravamento das condições de operação do sistema de saúde.
“Esse é o pior momento para ficar doente. Quem adoecer agora terá dificuldades para ser atendido, pode ter o azar de precisar aguardar a disponibilidade de um leito de terapia intensiva, em um CTI operando acima da capacidade, faltando insumos e etc. os lugares e todas as idades ”, avalia o médico.
Mesmo entre os mais jovens, a situação de todo o país é preocupante. Em setembro, outubro e novembro de 2020, 43,2% dos pacientes entre 18 e 44 anos que dependem de mecânica morreram. Já em dezembro, janeiro e fevereiro deste ano, o índice subiu para 51,1%.
O estudo leva em conta um universo amostral com 20,8 mil leitos e públicos privados da rede UTIs Brasileiras.
Curiosamente, neste período, o perfil de internação dos pacientes dessa faixa etária não mudou tanto: passou de 18% para 20%. Já o de internados maiores de 80 anos caiu de 13,4% para 9,7%. Esse é o único dado comemorado pela pesquisa, como explica Rezende:
“Isso representa uma queda de 27,6% nas admissões de pacientes com esse perfil. Já é reflexo do avanço da campanha de vacinação dos idosos, certamente. Esse é um grupo que temos que nos esforçar para evitar que preciso de terapia intensiva, porque são muito frágeis e, quando chegam, já estão em situação grave ”, explica o médico, membro do comitê consultivo da AMIB.
Rezende destaca que a proporção de internações de pacientes mais jovens não aumentou tanto em relação ao número de casos – esse número que disparou e foi responsável pela maior procura por leitos.
“Dados da Fiocruz apontam que o contágio nesse público surgiu de forma extraordinária, atingindo até 500%. No geral, eles são bem, mas também há um aumento do número de pacientes que chegam ao estágio grave, dependendo de mais oxigênio, diálise e até o uso de pulmões artificiais. Quando se falava em grupos de risco para uma doença, esse grupo ficou muito confiante, acreditou que estava imune, ou que apresentaria apenas sintomas leves, mas não é o que acontece ”, conclui.
Fonte: CNN Brasil/Agora RN
Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo


Nenhum comentário:
Postar um comentário
COMENTÁRIO SUJEITO A APROVAÇÃO DO MEDIADOR.