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sábado, 24 de julho de 2021

QUASE UM ANO APÓS ALTA, 60% DOS PACIENTES AINDA APRESENTAM SINTOMAS DA COVID-19

Pesquisa do Hospital das Clínicas da USP mostra que mais da metade das pessoas que contraíram a doença ainda sentem fadiga, falta de ar e fraqueza onze meses depois de saírem da internação

Pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP descobriram que 60% dos pacientes que estiveram internados com Covid-19 até agosto do ano passado apresentam sintomas como falta de ar, fadiga e fraqueza por um longo período após a alta médica. Os efeitos da doença persistem num período de seis a 11 meses após a internação.

Os resultados — ainda preliminares e que devem ser publicados em revista científica — são fruto de questionários aos quais 750 pacientes, homens e mulheres, na média dos 65 anos de idade, foram submetidos pela instituição dentro de uma grande pesquisa multidisciplinar. O grupo esteve internado no hospital, na capital paulista, em leitos de UTI ou enfermaria até agosto de 2020. A maioria, porém, precisou de cuidados de terapia intensiva.

Um braço inicial desse estudo deve ser finalizado e encaminhado para publicação no próximo mês. O trabalho foi desenhado para avaliar todos os pacientes ao longo de quatro anos em 15 áreas da medicina. Em todos os departamentos científicos analisados — a exemplo de cardiologia, nefrologia e neurologia — há indicativos de que o coronavírus seja responsável por malefícios por períodos superiores ao tempo agudo da doença, durante a internação.

— Tínhamos a hipótese (inicial) de que a doença fosse restrita ao sistema respiratório, aos pulmões. Depois, fomos vendo que, com a disseminação do vírus na corrente sanguínea, era possível ter reflexo desde as meninges (na cabeça) até a circulação das pernas — diz o coordenador do trabalho, Carlos Carvalho, diretor da UTI respiratória do Instituto do Coração (InCor), do HC.

Carvalho explica que há progressão positiva no quadro de saúde dos pacientes. Mas, apesar da melhora, é possível caracterizar a Covid-19 como uma doença de duração estendida.

Fonte: O Globo

Foto: Agência O Globo

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