Rede municipal perdeu, em 2025, o perfil Ouro do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização e foi rebaixada para a categoria Prata.
A rede municipal de educação de Caucaia perdeu, em 2025, o perfil Ouro do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização e foi rebaixada para a categoria Prata. O desvio, divulgado no início deste ano, coincide com uma série de reclamações de pais e responsáveis sobre faltas frequentes de professores nas escolas.
O selo é um reconhecimento simbólico concedido pelo Ministério da Educação (MEC) às gestões que demonstram o compromisso com a garantia do direito à alfabetização. Ele não tem natureza financeira, mas atesta o empenho e o foco nos resultados de aprendizagem.
Em 2024, primeiro ano da condecoração, Caucaia havia sido Ouro (pontuação entre 110 e 150 pontos). Já na edição 2025, estava na lista de cidades na categoria Prata (secretarias que obtiveram pontuação entre 90 e 109 pontos). Entre os critérios analisados, estão:
colaboração entre os entes federativos (estados, Distrito Federal e municípios);
implementação da política de alfabetização;
formação de docentes e gestores;
distribuição de materiais didáticos complementares de apoio;
resultados alcançados na alfabetização.
Para o MEC, o selo valoriza o “compromisso político e institucional dos gestores com a alfabetização de todas as crianças, assegurando igualdade de acesso e oportunidades educacionais”.
Porém, na prática, diversas unidades de Caucaia vêm passando por problemas na grade docente. Ao Diário do Nordeste, pais denunciam a ausência frequente de professores e a falta de cuidadores para alunos atípicos, o que resulta em interrupções nas aulas e no envio antecipado dos estudantes para casa.
Essa instabilidade compromete a organização familiar, dificultando que os responsáveis mantenham rotinas de trabalho e o planejamento doméstico. A situação também tem gerado indignação porque pode comprometer o aprendizado das crianças.
ALUNOS SEM AULAS
No bairro Icaraí, Ana (nome fictício) diz enfrentar uma batalha semanal na Escola Celina Sá Morais. Mãe de um menino com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ela afirma que a falta de profissionais ocorre rotineiramente.
“Toda semana tem algum motivo pra mandar os alunos mais cedo pra casa, porque algum professor colocou atestado ou por carência”, conta ela, ressaltando que o filho também está sem o cuidador necessário para acompanhamento.
Ana afirma que o núcleo gestor costuma avisar sobre a suspensão das aulas em grupos de mensagens, prometendo atividades domiciliares via WhatsApp.
“Como os pais vão trabalhar tranquilamente? Se de uma hora pra outra não tem aula, professor falta, bebedouro quebra... tudo é desculpa!”, desabafa, mencionando que já chegou a procurar a Secretaria Municipal de Educação (SME) para reclamar, mas a situação persiste desde o ano passado
Fonte: Nícolas Paulino/Diário do Nordeste
Foto: Natinho Rodrigues