Os estudos clínicos realizados no Amazonas sobre o uso da proxalutamida, a "nova cloroquina" propagandeada pelo presidente Jair Bolsonaro, foram excluídos pela fabricante da substância da relação de pesquisas de referência apresentadas no pedido de autorização feito à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uma nova pesquisa, aprovada na semana passada.
A proxalutamida é um bloqueador hormonal sintético ainda em estudos no combate ao câncer de próstata e o de mama. O trabalho controverso, coordenado por pesquisadores brasileiros com o apoio de um obscuro laboratório americano e uma rede privada de hospitais de Manaus, é alvo de uma investigação na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).
Segundo o que os pesquisadores divulgaram na época em uma coletiva de imprensa, a proxalutamida teria eficácia de 92% no tratamento de pacientes graves da Covid-19. Na ocasião, o elevado número de mortes descritas no trabalho – 141 inicialmente, mais de 200 reportadas posteriormente à Conep – suscitou na comunidade científica a suspeita de que ou os dados tivessem sido manipulados para forçar um resultado "milagroso", ou seus coordenadores teriam deixado parte expressiva dos voluntários morrerem durante a realização do estudo, já que não seria possível aferir se os óbitos em excesso ocorreram no grupo placebo ou entre os que receberam a droga.
A nova pesquisa foi autorizada pela Anvisa no dia seguinte a uma entrevista do presidente Jair Bolsonaro, ao receber alta de um hospital em São Paulo, em que ele disse que o remédio “existe no Brasil de forma não ainda comprovada cientificamente, de forma não legal, mas tem curado gente”. A Conep, que investiga as irregularidades no estudo de Manaus, também autorizou essa nova pesquisa.
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Fonte: Malu Gaspar
Foto: Miguel Schincariol

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