A diretora Gildelina Reis Nascimento também foi indiciada por injúria e racismo
A Polícia Civil determinou que "há indícios suficientes de autoria e prova de materialidade para o indiciamento" da diretora do colégio, Gildelina Reis Nascimento, da coordenadora, Deborah Tavares Santos, e da psicóloga da instituição Silvania dos Santos Nascimento. Além disso, Gildelina também foi indiciada por injúria; discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional - racismo.
A jovem morreu na noite do dia 11 de junho de 2025. Em seus últimos momentos de vida, ela chegou a relatar a uma testemunha que enfrentava problemas no colégio que haviam lhe causado desgaste emocional, segundo depoimento acessado pelo CORREIO.
Mais de 40 pessoas foram ouvidas pela 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus ou tiveram declaração testemunhal anexada durante as investigações, entre testemunhas, estudantes, ex-alunos, funcionários, ex-colaboradores da instituição e pais de discentes.
Investigação
No decorrer da apuração policial, a família de Maria concedeu acesso ao tablet que ela utilizava para acessar as redes sociais. No aparelho, foram encontrados registros de conversas com amigos, nas quais ela relatava as situações que enfrentava no colégio. A polícia encontrou também mensagens com o suposto perseguidor, de 17 anos, nas quais ele revelava ter sentimentos pela menina. Em outros prints, a jovem dividia com amigos próximos o desconforto com a perseguição do rapaz.
De acordo com o relato da mãe, Geeanne Suzarte, Maria Eduarda não apresentou mudanças de comportamento que pudessem levantar suspeitas. Após a morte da filha, os pais encontraram uma carta escrita pela jovem em maio de 2025, na qual ela afirmava ter sido perseguida por um estudante do mesmo colégio e o quanto estava sendo afetada pela situação, além de mensagens trocadas com amigos que indicam que ela estaria emocionalmente abalada pelo ambiente escolar.
“Em março, ela comunicou à gente que estava sendo seguida por um menino. Nós estivemos na escola para conversar com a diretora, imaginando que seria um lugar seguro para os nossos filhos. Ela disse para ficarmos despreocupados porque o menino era autista e usava fralda”, relembrou Geeanne, em entrevista ao CORREIO.
O pai do rapaz, no entanto, disse à polícia que seu filho “não é autista, que ele não tem nenhum problema intelectual e que não usa fraldas”. Ele também relatou que esteve na escola após encontrar uma carta enviada ao seu filho por Maria com o que caracterizou como “coisas horríveis”. Na mensagem, a garota pedia que o menino parasse de persegui-la. Segundo o homem, a diretora havia colocado a menina para pedir desculpas ao seu filho após a reclamação sobre o conteúdo da carta.
À polícia, o pai de Maria alegou que Gildelina Reis Nascimento, diretora e proprietária da escola, teria instruído estudantes a se afastarem da garota, o que teria aumentado “o isolamento e o bullying dentro da escola”, criando um ambiente hostil e de pressão psicológica. Segundo ele, “as perseguições tornaram-se graves e ninguém da escola tomava providências para fazer cessar os ataques”.
Fonte: Correio 24 Horas
Foto: Reprodução - Google Street View/Redes sociais
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