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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

SEM VACINA E EMPREGO, AUMENTA A DISPUTA ENTRE AMBULANTES NAS RUAS DE SP SOB RISCO DE CONTÁGIO

Trabalhadores informais órfãos dos eventos aumentam a concentração nas áreas centrais da capital paulista a despeito da pandemia

Margarida Ramos vende fantasias infantis no Centro de São Paulo. Aos 52 anos, apesar da pandemia e dos riscos de contágio, continua montando sua barraca em uma das regiões mais tradicionais do comércio ambulante da capital paulista. Nas últimas semanas de 2020, às vésperas do Natal, imagens da Rua 25 de Março ou do Brás, áreas de comércio popular da cidade, eram o retrato de tudo o que não deveria haver em meio à crise sanitária: muita gente aglomerada e sem máscara.

Mas, segundo Margarida, apesar do surpreendente burburinho documentado em plena pandemia, o resultado no seu caixa ao fim de cada dia tem sido decepcionante. Os consumidores estão com o dinheiro contado, e a concorrência é cada vez maior.

Margarida faz parte de um grupo de milhares de pessoas que estão entre os mais afetados pelos efeitos econômicos da pandemia: trabalhadores informais que atuam nas ruas como camelôs e ambulantes. Sem direitos trabalhistas e, desde anteontem, sem contar com o auxílio emergencial, dependem do vaivém de pessoas para pagar as contas. 

Enquanto o governo não conseguir efetivar a vacinação e não forem retomados eventos, o potencial das ruas para os ambulantes continuará limitado.

Em 2020, shows foram cancelados, e os estádios de futebol ficaram vazios. São oportunidades perdidas para ambulantes. Em São Paulo, a Parada Gay, a Virada Cultural e a Marcha para Jesus, eventos que costumam reunir centenas de milhares de pessoas nas ruas, também não aconteceram.

 Com isso, quem dependia deles para sobreviver se viu forçado a buscar alternativas. Quem não conseguiu o auxílio emergencial ou não podia viver só dele tende a se aglomerar em ruas onde a movimentação ainda é grande, como as do centro de São Paulo. Com isso, a disputa por espaço e clientes aumentou.

O cenário para 2021 é mais desafiador. Segundo o IBGE, o desemprego atingiu mais de 14 milhões de pessoas no país no fim do ano passado. De acordo com o instituto, cerca de 1,3 milhão de pessoas passou a buscar trabalho só entre julho e setembro.

 O número foi maior que o de novos postos de trabalho gerados na lenta recuperação da economia. Por isso a taxa de desemprego continua elevada, tendo registrado no trimestre encerrado em outubro o primeiro recuo, de 14,6% para 14,3%.

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Fonte: Dimitrius Dantas/O Globo

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