Uma professora da rede municipal de São José dos Campos (SP) encontrou cacos de vidro dentro do copo Stanley que usava durante uma aula do 8º ano. Segundo seu relato, um aluno teria colocado o vidro no recipiente diante dos colegas, que assistiram à cena entre risos e cochichos.
Alguns chegaram a alertá-la: “Se eu fosse você, eu não beberia essa água, professora.” Desconfiada da movimentação da turma, ela verificou o copo antes de beber e encontrou os cacos de vidro. O impacto emocional foi tão grande que precisou de atendimento médico e psicológico. Três estudantes foram suspensos, as famílias foram convocadas e o caso foi encaminhado às autoridades.
Ninguém chega à adolescência acreditando que tentar matar uma professora é uma brincadeira sem que, em algum momento, tenha fracassado a educação recebida dentro de casa.
O Estatuto da Criança e do Adolescente completou mais de três décadas. Os regimentos escolares também foram concebidos para uma realidade muito diferente da atual. É legítimo perguntar se esses instrumentos ainda oferecem respostas suficientes para proteger quem ensina.
Também é hora de discutir a responsabilização penal dos pais. Educar um filho não é apenas um direito. É um dever jurídico e moral. Quando um adolescente pratica um ato que coloca em risco a vida de outra pessoa, é razoável questionar se seus responsáveis não deveriam responder de forma mais severa, inclusive com mecanismos de responsabilização civil e penal.
Nenhum professor deveria entrar em uma sala de aula imaginando que haveria risco até em beber um copo de água.
Se o Brasil não tiver coragem de endurecer as consequências para atos dessa natureza e de cobrar efetivamente a responsabilidade das famílias, casos como este deixarão de chocar. E passarão a colocar em risco a vida de quem está lendo.
Fonte: Leste Online Notícias
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COMENTÁRIO SUJEITO A APROVAÇÃO DO MEDIADOR.