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sábado, 5 de dezembro de 2020

ELEIÇÕES 2020: A ESQUERDA CONSEGUIRÁ ESTAR VIVA EM 2022?

Três conclusões gerais nas análises das eleições 2020: Bolsonaro foi derrotado nas urnas; a “velha direita” está fortalecida; a esquerda segue viva.

Por Erick Kayser

O fim das eleições municipais de 2020 abrem um necessário período de balanços para as forças políticas no Brasil. Para as esquerdas, em especial, esta é uma tarefa vital. Em termos gerais, três conclusões gerais são aventadas nas análises dos resultados: 1 – Bolsonaro foi derrotado nas urnas; 2 – a “velha direita” está fortalecida; 3 – a esquerda segue viva.

Quanto as duas primeiras conclusões, talvez não haja grandes polêmicas. Bolsonaro não conseguiu eleger nenhum candidato que recebeu seu apoio nas eleições, ainda sem partido, viu o bolsonarismo se pulverizar em inúmeras siglas e com as alianças mais variadas. A onda reacionária se arrefeceu, poucas foram as candidaturas que conseguiram sucesso eleitoral exibindo maior fidelidade a retórica bolsonarista. A pandemia e a urgência dos temas sociais, especialmente questões relacionadas a renda e saúde; aliada a queda acentuada da popularidade do governo federal, parecem ter subtraído a audiência e adesão popular da agenda “ideológica” do reacionarismo.

Quem soube aproveitar melhor esta mudança nos “ventos” da política brasileira foi a “velha direita”, também eufemisticamente chamada de “centrão”, que obteve os melhores resultados eleitorais, elegendo o maior número de prefeituras e vereadores pelo país afora. O MDB, mesmo perdendo muitas prefeituras, continua sendo o partido a governar mais cidades, com 784. PP (685), PSD (654) e DEM (464) foram as siglas que mais cresceram em número de prefeituras. O PSDB, com 520 prefeituras, foi quem registrou a maior queda neste campo (-33%). Contudo, convém não superdimensionar o alcance destes resultados, especialmente para a disputa de 2022. Nunca é demais lembrar, por exemplo, que o MDB figura já fazem algumas décadas no topo da lista de partidos que mais administra prefeituras no país, sem conseguir sequer lançar uma candidatura presidencial competitiva. O fortalecimento da direita tradicional deixa o “jogo eleitoral” ainda mais aberto e indefinido quanto a sucessão presidencial. O apoio maior ou menor que a totalidade destes partidos prestam ao governo não recomenda afirmar, desde já, qualquer tendência “oposicionista” ou de projeto próprio para as eleições de 2022, não devendo ser descartado, inclusive, a adesão de algumas destas siglas em uma tentativa de reeleição do Bolsonaro.

Sobre a terceira conclusão, de que a esquerda segue viva, talvez hajam algumas controvérsias. Não faltaram analistas, especialmente na grande mídia, para regozijar-se sobre os fracassos eleitorais dos partidos da esquerda, especialmente nas capitais e apontar para uma “nova morte do PT”. Os dados não apontam para isso. Em termos gerais, entre derrotas e vitórias municipais, o que se constata é uma situação “estacionária”, ainda que sofrendo perdas, a soma dos partidos de esquerda ou centro-esquerda mantêm quase inalterada a força institucional que haviam obtido nas eleições de 2016. As maiores perdas foram do PSB (252) e PCdoB (46), os socialistas perderam 151 prefeituras (-37%) e o PCdoB perdeu 34 (-42%), o PDT (314) manteve-se praticamente estável, perdendo apenas 17 prefeituras, O PT (183) sofreu novo recuo e, pela primeira vez, não governará nenhuma capital, enquanto o PSOL passará a governar sua primeira capital, com Belém, mas no geral obteve poucas vitórias e governará apenas cinco cidades em todo o país.

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Fonte: Jornal GGN

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