Medidas de isolamento em todo o mundo estão impedindo que pacientes obtenham o tratamento e tenham dinheiro para comprar alimentos, colocando seus sistemas imunológicos em risco.
Começou com dores de cabeça e depois veio náusea e diarreia. Em duas semanas, o barbeiro Eric, de 26 anos, natural de Uganda, ficou tão fraco sem a medicação para o HIV que não conseguia mais andar e teve que ser hospitalizado.
— Fiquei no hospital por uma semana e quatro dias. Quase perdi minha vida. O médico me disse que eu não deveria ter parado de tomar meus remédios contra o HIV, mas não foi minha escolha. Não há transporte disponível por causa do lockdown e não pude andar os 20 km até a clínica para receber meus refis dos medicamentos — contou Eric por telefone de sua aldeia no distrito de Ntungamo, no oeste de Uganda.
As medidas de isolamento em todo o mundo estão impedindo que algumas pessoas LGBT+ com HIV obtenham o tratamento que salvam suas vidas — e estão potencialmente colocando seu sistema imunológico comprometido em risco caso contraiam a Covid-19, de acordo com organizações de combate a HIV/Aids.
De Uganda, Quênia e Moçambique ao Líbano, Quirguistão e Trinidad e Tobago, grupos de direitos humanos relatam casos de minorias sexuais forçadas a interromper o tratamento devido às ordens de permanecer em casa, apesar de alguns esforços do governo e de ONGs para tentar ajudá-los.
Matteo Cassolato, líder técnico de HIV na organização beneficente Frontline Aids, disse que estavam recebendo um número crescente de pedidos de subsídios de grupos LGBT+ de base cujos membros estavam lutando para obter seus medicamentos por causa do coronavírus.
— As pessoas que vivem com HIV em todo o mundo estão tendo problemas para receber tratamento regular devido ao lockdown, mas para grupos como a comunidade LGBT+ é mais desafiador devido à sua vulnerabilidade e à discriminação que enfrentam — explicou.
Ele ainda relatou casos de perseguição e preconceito:
— Eles estão sendo perseguidos e presos em alguns países, ou parados pela polícia quando vão buscar seus remédios e forçados a voltar para casa. Devido ao estigma e homofobia, muitas vezes é difícil se explicar — afirmou.
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Fonte: Nita Bhalla e Oscar Lopez, da Thomson Reuters Foundation/O Globo
Foto: AFP


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