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RN POLITICA EM DIA 2012 ENTREVISTA:

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

DE GRIPEZINHA A CLOROQUINA: O DISCURSO ALINHADO DE TRUMP E BOLSONARO

Os 2 negaram gravidade da pandemia.

Minimizaram medidas de proteção.

Quando a pandemia da covid-19 atingiu o mundo, o presidente Jair Bolsonaro já tinha demonstrado em diversas ocasiões o alinhamento com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao longo de 2020, Brasil e Estados Unidos também estiveram lado a lado no discurso de seus chefes de Estado sobre a pandemia.

A maneira como Trump conduziu o país ao longo da pandemia virou um dos temas centrais do debate eleitoral. Antigos apoiadores do republicano decidiram votar em Joe Biden. O democrata foi eleito e venceu em redutos republicanos, como o Estado da Geórgia.

Desde o começo de 2020, Trump não economizou na politização da crise e em frases controversas. Dises  que os Estados Unidos não teriam altos números de casos e mortes e sugeriu que as pessoas injetassem desinfetante como forma de prevenção.

Em 22 de janeiro, Trump disse ao canal de televisão CNBC que a propagação do novo coronavírus estava “totalmente sob controle” no país. Dois dias depois, em seu perfil no Twitter, agradeceu ao Presidente Xi Jinping, da China, pelos esforços na contenção da covid-19.

No fim de fevereiro, falando da Casa Branca, disse: “Como um milagre, [o coronavírus] vai desaparecer”. Segundo Trump, o mundo “estava perto de uma vacina” e que a doença era “como uma gripe”.

Em março, apesar de ainda minimizar a gravidade da doença, mudou ligeiramente o discurso. Culpou a China pela disseminação do “vírus chinês”, repreendeu a OMS (Organização Mundial da Saúde) pela demora em agir e se congratulou pelo trabalho feito nos Estados Unidos.

Ao conversar com jornalistas em 23 de abril, sugeriu que injeções de desinfetante poderiam servir de tratamento para a covid-19. A recomendação é contrária a da OMS (Organização Mundial da Saúde) e de especialistas. No mesmo mês, disse que se sentia bem e, por isso, não iria usar máscara de proteção.

O discurso e a atitude de Trump foram seguidos de perto por Bolsonaro, que também minimizou medidas de proteção como o uso da máscara.

Bolsonaro também comparou a covid-19 a uma gripe. Afirmou, em 24 de março, que pelo seu “histórico de atleta”, “seria, quanto muito, acometido de uma gripezinha, ou resfriadinho”.

O presidente declarou que a pandemia não seria tão grave no Brasil. Disse que o brasileiro “não pega nada”. “Você vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha, tá certo? E não acontece nada com ele”, falou em 26 de março.

Bolsonaro criticou comparações com a Itália, país fortemente atingido no começo da pandemia. “A população lá é extremamente idosa. Esse clima não pode vir pra cá porque causa certa agonia e causa um estado de preocupação enorme. Uma pessoa estressada perde imunidade”, declarou em 22 de março.

Em 21 de março, Trump disse que a “hidroxicloroquina e a azitromicina, juntos, têm chance real de promoverem uma das maiores viradas de jogo da história da medicina”.

A hidroxicloroquina, que não tem comprovação científica no tratamento da covid-19, foi defendida com unhas e dentes por Bolsonaro. O brasileiro chegou a declarar, em 19 de maio, que “quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína”.

Estados Unidos e Brasil têm mais em comum do que apenas a posição de seus governantes. São 2 dos países com maior número de casos de contaminação e de mortes pela doença.

Até 24 de dezembro, EUA tinham 19 milhões de casos confirmados e quase 325 mil mortes pela doença. É o 1º no ranking das nações mais atingidas. O Brasil está em 3º, com mais de 7 milhões de casos e quase 190 mil mortes.

Ao participar de uma transmissão ao vivo em 12 de abril, Bolsonaro afirmou que o coronavírus “parece estar indo embora” do Brasil.

Em 28 de abril, quando o Brasil contabilizou 5.385 novos casos de coronavírus em 24 horas, um recorde até então, Bolsonaro disse: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre.”

Quando o Brasil chegou a marca de 100 mil mortes pela doença, em 8 de agosto, Bolsonaro lamentou, mas falou que a quarentena mata mais que o vírus. “O lockdown matou 2 pessoas para cada 3 de covid no Reino Unido. No Brasil, mesmo ainda sem dados oficiais, os números não seriam muito diferentes”, declarou na época.

A atitude se manteve ao longo do ano. Bolsonaro disse, em 10 de novembro, que o Brasil tem de deixar de ser um país de “maricas” –termo pejorativo para se referir a homossexuais. Segundo o presidente, “tudo agora é pandemia, tem que acabar esse negócio”.

Dias antes, em 24 de outubro, Trump disse: “É tudo que ouço agora. Isso é tudo que ouço. Ligo a televisão e é ‘covid, covid, covid, covid, covid’”.

VACINA
Um ponto de divergência entre os dois presidentes é a vacina contra a covid-19. Trump criou a Operação Warp Speed, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de um imunizante e garantir doses ao país. Os Estados Unidos compraram cerca de 300 milhões de doses das fabricantes AstraZeneca/Oxford, Moderna, Pfizer/BioNTech, Novavax, Jansen e MSD/IAVI.

A vacinação em solo norte-americano começou em 14 de dezembro, depois que o imunizante da Pfizer/BioNTech foi aprovado. Uma semana depois, o país autorizou a vacina da Moderna.

Trump defendeu a vacinação nacional. Chegou a acusar a FDA (Food and Drug Administration, agência sanitária norte-americana) e a Pfizer de atrasarem o processo para que a autorização fosse dada depois da eleição presidencial de 3 de novembro.

“Como já disse há muito tempo, a Pfizer e os demais só anunciariam a vacina depois da Eleição, porque não tiveram coragem de fazê-lo antes”, escreveu no Twitter em 10 de novembro.

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Fonte: Marina Ferraz/Poder360

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