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RIO GRANDE DO NORTE

sexta-feira, 14 de abril de 2017

ABRAÇOS PELA CIDADE, RUPTURA COM O CLUBE: A ROTINA PARADOXAL DAS VIÚVAS DE CHAPECÓ.

Em nome dos filhos, Rosângela (Cleber Santana) e Suzi (Thiego) são únicas esposas de jogadores que não se mudaram após tragédia. Nova rotina tem apoio da população e distanciamento da Chape.

O cenário segue ali, decorado e arrumado como se tudo estivesse igual. Não está. Os personagens principais não vão mais entrar em ação, e os roteiros das vidas de Rosângela e Suzi agora têm capítulos indefinidos. Em nome dos filhos, as duas são as únicas viúvas de jogadores que seguem em Chapecó após o acidente de 29 de novembro. Sacrifício para estancar as feridas dos herdeiros, mas que castiga na rotina agora sem Cléber Santana e Thiego. Mistura de emoções como a que as divide entre o amparo dos chapecoenses e uma ruptura iminente com a Chapecoense.
Rosangela, viúva do meia, e Suzi, do zagueiro, se emocionam ao relatar cada abraço repentino que recebem nas ruas da cidade, cada palavra de carinho. O tom muda, porém, quando é para falar do clube. Com a frase "a Chape família que existia não existe mais", as duas apontam falta de atenção e zelo com os familiares das vítimas, tratam o distanciamento como praticamente incontornável, e isentam apenas uma pessoa: Maninho. Por respeito ao presidente, elas não fazem parte do grupo que busca na Justiça o que julga ser de direito quanto a seguro e indenizações. Por enquanto...
- Se não fosse ele, que é uma pessoa muito honesta, já teria colocado até na Justiça, o que com certeza vou fazer no futuro, atrás dos direitos dos meus filhos. É o que meu marido deixou. Ficamos em Chapecó, não com a Chapecoense. Se fosse a outra diretoria, se tivessem sobrevividos dois pelos menos... A Chape que existia morreu. Não é mais a mesma. E a nova, para mim, já está formada. Se perder amanhã ou depois, é pelo futebol, não por estar passando por nada. Quem está passando somos nós, sem maridos, ouvindo os filhos chorarem - desabafou Rosângela Loureiro, mãe de Clebinho, de 15 anos, e Haroldo, de 12.
Apesar de mais discreta, Suzi segue a mesma linha de raciocínio da amiga e vizinha. Decidida a ficar em Chapecó desde o acidente, a viúva de Thiego chegou a receber promessas de emprego na Chapecoense, mas confessa que este não seria o melhor caminho para recolocar a vida no lugar. Sua ocupação em 2017 será dedicar-se a pequena Nina, que completou cinco anos no último dia 27, motivo do número da camisa do pai.
- Quando aconteceu isso, a Chape falou em oferecer emprego, mas não tem condições. Eu não consigo entrar lá (na Arena). Teve uma reunião recente, eu fui lá, tive uma crise de choro e fui embora. E também não quero misturar as coisas. Meu dia agora é para cuidar da Nina, não vou fazer nada. Fiquei também pelas questões burocráticas que têm que ser resolvidas. O Seu Maninho, quando vim para cá, me ajudou muito. Foi a única pessoa.
Imune ao fogo cruzado entre Chapecoense e viúva, Maninho foi procurado pelo GloboEsporte.com, mas preferiu não se manifestar sobre o caso.
VEJA MATÉRIA COMPLETA AQUI

Fonte: Cahê Mota/Globo Esporte

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